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saiba
um pouco
sobre
o que é ...
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A
economia da natureza
Os seres vivos sempre fazem parte
de comunidades heterogêneas, mantendo, com o meio físico e
entre si, relações de interdependência, ainda que remotas.
Cada espécie necessita de substâncias ou componentes básicos
do meio para sua alimentação, reprodução e proteção. Além
disso, há exigências quanto à estrutura e topografia do
ambiente para que a espécie desenvolva seus hábitos característicos.
Tudo isso faz com que cada espécie
somente se desenvolva em ambiente onde existam composição e
estrutura favoráveis, chamado de habitat, de maneira geral. Mas
o ambiente ou habitat não é constituído exclusivamente pelo
meio físico. Frequentemente, o nicho ecológico, isto é, o
alimento, o material para a construção de ninhos ou os meios
de proteção, são oferecidos ou disputados por outros seres
vivos, seus concorrentes ou predadores.
A integração equilibrada de
todos esses fatores (físicos, químicos e biológicos), é que
permite e regula a sobrevivência, o desenvolvimento e o equilíbrio
populacional de uma determinada espécie biológica. Nesses
ciclos ecológicos, há uma reciprocidade na qual a economia da
natureza não significa o predomínio desta ou daquela espécie;
significa, sim o desenvolvimento harmônico e equilibrado de
todos os seres vivos.
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O
desequilíbrio
Quando o meio ambiente não é
capaz de fornecer as condições exigidas para a vida - nutrição,
reprodução e proteção - ele se torna impróprio à sobrevivência
do ser vivo. O sapo-boi, por exemplo, destrói certos besouros
que prejudicam o cultivo da cana-de-açucar. Entretanto, ele
também se alimenta de insetos destruídores de moscas
transmissoras de doenças. Como o sapo-boi prolifera com
facilidade (vive 40 anos e põe 40 mil ovos por ano), é
perigoso colocá-lo em regiões onde não existam outras espécies
que possam devorá-lo, pois desta forma o equilíbrio ecológico
não será mantido. É, por um outro lado, o sapo-boi que é tão
bom para a agricultura, é também o responsável indireto pela
proliferação de doenças.
O próprio homem se encarrega de
quebrar o ciclo natural da sobrevivência. E em nome do
conforto, do bem estar - e mais, do poder - o homem está
transformado o seu meio ambiente, trazendo a poluição e
provocando tragédias ecológicas.
Isso porque não está sabendo
explorar adequadamente os recursos renováveis e não-renováveis
da natureza. Até meados do século 19, a atividade do homem não
concorria de forma tão acentuada para provocar mudanças drásticas
que pudessem alterar a biosfera. A partir de revolução
industrial, entretanto, e das grandes guerras mundiais, é que
essas transformações começaram a ser sentidas com
intensidade. É nessa época que a Inglaterra começa a conhecer
os problemas de poluição do ar e da água.
A medida que o homem foi adaptando
o meio ambiente às suas exigências progressistas, criando
vacinas, meios de transportes, novas habitações, aparelhos
sofisticados, novas formas de energia, explorando
desordenadamente os recursos naturais, foi causando impactos e
poluindo o ambiente.
A exploração demográfica também
teve sua influência: tendo necessidade de maior quantidade de
alimentos, o homem precisou preservá-los, utilizando
irracionalmente os defensivos agrícolas na lavoura e na indústria.
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A
troca de energia
O que aconteceu é que o homem
partiu de uma visão puramente naturalista quanto à relação
dos seres vivos com seu ambiente, para um pensamento imediatista,
de explorar avidamente todos os recursos oferecidos pela
natureza.
Antes, ele achava que as
florestas, os rios, por exemplo, eram e deviam ser mantidos como
verdadeiros obras de arte - levando em consideração apenas o
lado estético, sem se preocupar com sua com sua própria
atividade, como se não fosse parte integrante da natureza. Mas
tarde, só teve preocupação de tirar proveito desses recursos
a qualquer custo, aqui e agora, sem pensar nas populações
futuras.
Embora esse enfoque ainda persista
em certos setores da humanidade, o homem já percebeu (ou está
percebendo) que a utilização indiscriminada ou inadequada do
meio ambiente poderá levar não ao bem estar das pessoas, mas
à destruição da vida no Globo. Percebeu ou está percebendo
que a economia da natureza não deve significar o poderio econômico
de alguns, mas sim a distribuição ou troca dinâmica e
racional da energia produzida, visando a uma reciprocidade ou
equilíbrio harmônico para o convívio das espécies vivas.
Dessa forma, um terceiro enfoque
da ecologia é o que reconhece a existência dos recursos
naturais, a necessidade de sua exploração para que o homem
possa sobreviver. E também a necessidade imperiosa do
estabelecimento de normas e medidas que racionalizem as
atividades humanas e a utilização do ambiente.
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Ecologia
Quem utilizou, pela primeira vez,
o termo ecologia, em 1866, foi o naturalista alemão Ernest
Haeckel, propagador das idéias de Darwin. Ele a definiu como
"economia biológica ou economia da natureza", ou
ainda "ciência dos costumes dos organismos, suas
necessidades vitais e suas relações com outros
organismos" e mais, como "o estudo das relações de
um organismo com seu ambiente inorgânico e orgânico".
Atualmente, a definição de
ecologia (do grego oikos - casa) está mais restrita ao estudo
das relações entre organismos e o meio, enquanto o termo
etologia (que para Haeckel era empregado como sinônimo de
ecologia) se reserva ao estudo de costumes.
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O
ser vivo
Quando Lavoisier enunciou o princípio
de que "na natureza nada se cria e nada se perde, tudo se
transforma", estava falando em ecologia. E é fácil
perceber que o cientista estava certo em sua análise do ser
vivo e suas atividades básicas.
Segundo os pesquisadores, todo ser
vivo é constituído de moléculas orgânicas, isto é, grandes
moléculas formadas de extensas cadeias de carbono. Esse tipo de
composto apresenta inúmeras vantagens para o organismo, devido
ao seu grande tamanho, propriedades coloidais etc. Além disso,
é um verdadeiro reservatório de energia.
Quanto mais extensa e complexa é
a molécula, maior a quantidade de energia necessária para
produzi-la. Por outro lado, maior será a quantidade de energia
armazenada e disponível para as atividades vitais.
Nutrição é o processo de obtenção
de matéria e energia do meio para a construção do organismo -
e, portanto, o crescimento e multiplicação - e realização de
suas atividades (movimentos, reações químicas diversas,
manutenção de temperatura etc.).
Há duas maneiras básicas de
nutrição. Ou os organismos se alimentam de compostos orgânicos
já existentes no meio ou sintetizam e produzem esses compostos
orgânicos.
Para a produção dos compostos, há
necessidade de carbono obtido do gás carbônico e de grandes
quantidades de energia. A fim de se alimentarem de compostos orgânicos,
as espécies consomem outros seres vivos ou seus produtos, pois
na natureza, os compostos orgânicos são produzidos pelos seres
vivos.
Pode-se dizer, então, que direta
ou indiretamente, toda atividade vital na Terra depende da
capacidade de produção de matéria orgânica.
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A
fotossíntese
Nem todos os seres vivos têm
capacidade de produzir compostos orgânicos a partir de carbono
não orgânico. Somente os chamados autótrofos (produtores), em
sua maioria, utilizam a luz solar como energia para a síntese
(produção). Os outros organismos, denominados heterótrofos
(consumidores ou decompositores) dependem basicamente da existência
dos primeiros para a sua sobrevivência.
Os seres autótrofos são todos
vegetais. Os heterótrofos são os animais e alguns grupos
vegetais, como os fungos (cogumelos, mofos, levedos) e muitas
bactérias.
Os autótrofos têm um pigmento
verde, a clorofila que, exposta à luz do sol, transforma o gás
carbônico em alimento (compostos orgânicos), liberando o oxigênio.
É o processo da fotossíntese que, para ser realizado, depende
também da água.
A vida no nosso planeta depende,
assim, da existência da luz, da clorofila e da água. Há exceções:
algumas bactérias que sintetizam compostos orgânicos
empregando a energia resultante de reações químicas que
provocam no meio; mas isso é inexpressivo, em face da fotossíntese.
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Respiração
O animal ou ser humano, ao ingerir
compostos orgânicos obtidos direta ou indiretamente dos
vegetais verdes, adquire, por este processo, sua reserva de
energia disponível, que fica acumulada principalmente sob a
forma de gordura ou de açucares, nas células do corpo.
Para dispor dessa energia, basta
que realize a reação contrária, isto é, transforme novamente
estes compostos em gás carbônico: a transformação de um
composto rico em energia em um outro composto pobre em energia
levará, necessariamente, ao desprendimento ou restituição da
energia acumulada, segundo o princípio de Lavoisier. Esta
transformação é feita pelos animais com a intervenção do
oxigênio: trata-se de uma reação de oxidação que recebe o
nome de respiração.
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Produção
e consumo de alimentos
Em todo processo de respiração há
destruição ou decomposição de compostos orgânicos. Ou
melhor: na natureza, a todo processo de composição (produção
de alimentos) segue-se outro de decomposição (análise).
Esse equilíbrio é condição
fundamental à continuidade da vida, porque se a quantidade de
energia solar é praticamente inesgotável, por sua vez, a
quantidade de carbono e outros elementos constitutivos das moléculas
orgânicas é limitada no ambiente habitado.
Assim, produzir e consumir
alimentos são processos vitais em cadeia. Uma árvore produz
frutos. Aparecem pássaros que se alimentam deles. A árvore é
um ser produtor e os pássaros são seres consumidores primários,
porque se alimentam desse produtor. O gavião, que devora o pássaro
é um consumidor secundário. A onça, que come o gavião, é
consumidor terciário e assim por diante.
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Oxigênio
Pristley, no século 18 , faz uma
experiência interessante. Colocou um rato sob uma campânula de
vidro e uma planta sob outra. Ambos os organismos morreram
depois de algum tempo. O primeiro por falta de oxigênio, e o
segundo por não ter quem consumisse seu oxigênio. Em seguida,
o cientista colocou outro ratinho e outra planta sob a mesma
campânula e os dois sobreviveram.
Isso ilustra bem que a produção
e o consumo de oxigênio é um processo fundamental à
continuidade da vida no Planeta.
Os vegetais fotossintetizantes, ao
produzirem compostos orgânicos, liberam, com subproduto da reação,
oxigênio molecular que enriquece o meio. Eles produzem muito
mais oxigênio do que necessitam, permitindo a respiração de
todos os consumidores aeróbios (a respiração aeróbia é
realizada em mais larga escala na natureza).
Com o consumo de oxigênio na
respiração e equivalente ao oxigênio produzido na fotossíntese,
assim como ocorre inversamente com o gás carbônico, essas
substâncias se equilibram no ambiente atmosférico, mesmo
levando-se em conta as taxas de respiração e fotossíntese das
plantas nos períodos diurnos e noturnos. Assim, a equivalência
das atividades de síntese e de decomposição é responsável,
também, pela manutenção do equilíbrio entre esses gases na
Terra.
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Cadeias
alimentares
A capacidade de produzir e
utilizar compostos orgânicos existentes no meio varia de uma
para outra espécie vegetal ou animal. Cada espécie apresenta,
assim, exigências particulares ou específicas com relação à
composição e estrutura do meio ambiente.
Dessa forma, segundo o professor
Samuel Murgel Branco, "o tipo de alimentação de cada espécie
é um dos mais importantes fatores ecológicos a determinar a
existência, a abundância, a predominância ou o equilíbrio em
um determinado ambiente".
Essas exigências particulares de
alimento levam à existência de cadeias alimentares em cada
ambiente ecológico. As cadeias se compõem de diferentes espécies
de produtores e consumidores, uns sendo o alimento dos outros.
Assim, a reprodução de cada um deles tem que ser
suficientemente grande para, além de dar continuidade à própria
espécie, fornecer o alimento indispensável à espécie que
dela depende.
A destruição de um só dos elos
dessa cadeia pode ter efeitos catastróficos, causando o
desaparecimento total do elo seguinte (dependente do primeiro) e
a superpopulação do meio pelo elo anterior. A eliminação de
aranhas de uma região, por exemplo, pode causar o
desaparecimento total do vespão que delas se alimentam e,
consequentemente, a superpopulação de insetos.
O desequilíbrio pode ocorrer também
com a introdução de um elemento estranho à cadeia e cuja
proliferação se torna muitas vezes incontrolável. Por
exemplo: a introdução do coelho na Austrália, para destruir
cactos e plantas daninhas, gerou problemas ainda mais sérios
que o anterior. O animal passou a dizimar plantações e não
havia, na fauna local, outra espécie capaz de destruí-los.
Esses elementos estranhos podem
ser também substâncias - fertilizantes, por exemplo - que o
homem utiliza para elevar a produção por área. Essas substâncias
nutrem excessivamente organismos autótrofos e heterótrofos,
quebrando o processo de síntese e decomposição. Quando se
introduz, por exemplo, resíduos sólidos ou líquidos nas águas
de um lago, isso pode conduzir a uma superpopulação de bactérias
que consomem todo oxigênio, levando à morte peixes e outros
seres aeróbios (processo de eutrofização).
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Reprodução
Muitas plantas dependem de fatores
físicos, como o vento ou a água, para transporte de seus grãos
de pólen ou de suas sementes, que garantem sua fecundação e
disseminação. Isso prova que o processo de reprodução -
indispensável também à continuidade da vida na Terra - está
ligado às condições ambientais, que o favorecem ou
prejudicam.
Frequentemente a reprodução
envolve também relações inter-específicas, por vezes
bastante complexas. Certas espécies dependem de outras para a
realização de seu processo reprodutivo. Pássaros, morcegos, e
outros animais são indispensáveis, por exemplo, ao transporte
de sementes, garantindo a disseminação da espécie vegetal.
Algumas sementes possuem substâncias
mucilaginosas que as fixam ao bico das aves, obrigando-as a
esfregá-los na superfície de outra árvore, sobre a qual a
semente germina.
A intervenção do homem na
natureza, modificando ou eliminando qualquer um desses fatores
ou seres responsáveis pela fecundação ou disseminação, pode
originar profundas mudanças ecológicas.
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Proteção
É preciso, pois, assegurar a
sobrevivência da espécie e, para isso, dispor de estruturas e
processos que as protejam de fenômenos naturais (intempéries)
e da agressão de outros seres vivos.
Qualquer animal que não disponha
de recursos defensivos eficientes pode ser completamente destruído
por seus predadores naturais (há seres vivos que vivem da predação).
Os vegetais não correm tanto risco por terem o poder da
regeneração de suas partes lesadas ou amputadas e por terem
crescimento vegetativo ilimitado. Apenas alguns animais têm
essa capacidade de regeneração.
Os sistemas de proteção vão
desde a simples camuflagem (o urso branco, por exemplo,
confunde-se com a neve; e o tigre, com suas listas, com a vegetação
típica do ambiente) até a construção de abrigos para o
animal e sua prole (as conchas dos moluscos, as tocas dos
roedores etc.).
Espinhos ( como os dos ouriços),
couraças (das tartarugas e tatus), são outros tipos de
estruturas defensivas. "Mas nem eles nem os abrigos
acham-se tão intimamente relacionados com a natureza do meio
ambiente quanto a camuflagem", diz o professor Samuel
Murgel Branco.
O camaleão, por exemplo, possui a
capacidade de mudar a cor de sua pele, o que lhe possibilita
confundir-se com uma grande variedade de locais. As borboletas têm
as cores e a forma de pétalas de flores. Algumas gaivotas têm
a coloração cinza azulada no dorso, que é confundida com a água
do mar, quando vista de cima, e a cor branca na região ventral,
que lhe permite não ser percebida pelos peixes, suas vítimas,
de encontro à luz.
Quando a fauna natural desaparece,
acontece um excessivo e desastroso desenvolvimento de animais
nocivos que, por quantidade, acabam se livrando de seus
predadores naturais, ficando com campo aberto para agir. Isso é
muito comum na abertura da estradas ou grandes obras, quando é
frequente o aparecimento de doenças transmitidas principalmente
por insetos.
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O
meio ambiente
O meio ambiente, o sistema ecológico
ou ainda o ecossistema constituem-se num conjunto de elementos e
fatores indispensáveis à vida. Qualquer unidade que inclua
todos os organismos (a comunidade) de uma determinada área
interagindo com o meio físico, constitui um sistema ecológico
ou ecossistema, onde há um intercâmbio de matérias vivas e não
vivas.
Para Samuel Branco, "no meio
ambiente pode não haver vida. Já o ecossistema pressupõe, em
si mesmo, a existência de visa". Ele explica:
- O meio ambiente constitui-se numa noção mais estática.
Embora contenha elementos e condições necessárias à vida,
pode não haver estrutura que a condicione. Meio ambiente também
difere de habitat, que já dá uma conotação geográfica ou
espacial. O habitat seria o ambiente nativo. Exemplos de
ecossistemas: uma floresta inteira ou uma simples bromélia (família
de plantas semelhantes ao abacaxi), um lago, um rio.
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Um
conjunto
Muitos fatores e elementos
delimitam a composição de um ecossistema. Existe. por exemplo,
a composição física do meio, como a natureza do solo,
luminosidade, temperatura etc. A composição química: sais
minerais e compostos orgânicos utilizados como nutrientes;
acidez ou alcalinidade; oxigênio; gás carbônico. Há a presença
de outras espécies: predadores, seres que vivem do mesmo tipo
de alimento ou que dependem reciprocamente uma espécie da
outra, parasitas, alelopatas, que são vegetais que, através de
suas folhas, ramos, frutos ou raízes, produzem substâncias que
dificultam o crescimento de outros vegetais.
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Nicho
ecológico e nicho trófico
Nicho ecológico pode ser
conceituado como um conjunto de características ambientais
estatísticas, como fatores físicos, alimentação e predadores
que definem o lugar no sentido funcional da espécie na
natureza.
Quando esse sistema é analisado
do ponto de vista energético (organismo-alimento-meio), é
chamado de nicho trófico.
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Sem
improvisação
Há ambientes naturais
artificiais. Os naturais são constituídos por componentes dos
ecossistemas em geral e que atendem às necessidades básicas de
nutrição, reprodução e proteção.
Os seres vivos utilizam-se
oportunamente dos elementos da natureza, mas são passivos em
relação à estrutura e composição do meio ambiente. Sua
participação na composição do ambiente ecológico é
puramente circunstancial. Raríssimas espécies provocam alterações
direcionais em um ecossistema, como as formigas, abelhas ou os
castores que, mesmo assim, têm sua capacidade extremamente
limitada por fatores naturais.
As abelhas, por exemplo, constróem
habilidosamente suas colônias, mas dependem da existência de
flores nas proximidades, como fonte de néctar e pólen para sua
sobrevivência.
Os castores, por sua vez, cortam
árvores e constróem barragens com os troncos, originando os
lagos - ambiente favorável à sua vida e reprodução.
Entretanto, na ausência de árvores, não conseguem
substitui-las por outro material, como blocos de pedra, por
exemplo.
Além disso, em todas as realizações,
o animal nunca improvisa. Segue um padrão rígido de construção.
Faz tentativas para fugir de uma armadilha, mas é incapaz de
realizar experiências no sentido de conquistar um ambiente novo
ou de alterar sua habitação natural. Ou ele encontra o
ambiente e os materiais necessários ao seu modo de vida ou ele
morre.
Na natureza, só o homem é capaz
de fugir inteiramente a essas restrições. Sua capacidade de
improvisação não tem limites e ele a usa para mudar seu
ambiente de modo a torná-lo mais adequado ao seu tipo de vida.
Que, por sinal, foi modificado por ele mesmo, perdendo seu
sentido natural de satisfação e necessidades fisiológicas básicas.
Começaram a surgir no homem as
necessidades ideais, traduzidas em conforto, bem estar, padrões
estéticos, poder, satisfação de aptidões intelectuais,
resultantes de atividade mental que lhe é peculiar e exclusiva.
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Integração
nos ecossistemas
O peixe está integrado em um
ecossistema na medida em que se alimenta de crustáceos e estes
de algas, que captam energia solar. Um leão faz parte de um
ecossistema florestal porque se alimenta de pequenos animais,
por sua vez, devoram outros menores, consumidores de vegetais,
que captam energia solar.
Nem o peixe pode viver na floresta
nem o leão no mar, simplesmente por não disporem de condições
de obter alimentos (ou energia) nos ambientes trocados.
Um ser vivo está integrado em
determinado ecossistema quando é capaz de fazer convergir para
si as energias ou partes das energias Canalizadas através desse
sistema, por intermédio de reações tróficas.
Não basta existir a energia no
meio. Para dispor dela, os seres vivos necessitam de aptidões
específicas e isso acaba por determinar a fixação da espécie
a um único ecossistema, assim como estabelece um processo
particular de canalização de energia através de elementos
desse ecossistema.
Aqui também aparece o homem como
exceção à regra. Ele é o único ser vivo que não é filiado
a qualquer tipo de ecossistema. Ele consegue utilizar em seu
benefício várias fontes físicas ou químicas de energia,
sendo capaz de obter alimentos (energia) em qualquer
ecossistema.
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O
equilíbrio através dos canais de energia
Os canais de energia nos
ecossistema é que dão à natureza sua estabilidade, limitando
a ação predatória que poderia facilmente acabar com uma espécie
ou mesmo com um ecossistema. É fácil imaginar o que
aconteceria se qualquer ser vivo pudesse se alimentar de toda
espécie de animais ou vegetais que encontrasse pela frente.
É aqui que se pode sentir o
perigo resultante de independência ecológica ou energética do
ser humano.
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O
homem nos ecossistemas
Talvez tenha sido quando começou
a utilizar o fogo que o homem iniciou as mudanças de seu
ambiente ecológico. Ao queimar matas para o plantio e devastar
florestas para obter combustível, ele deu origem aos primeiros
desertos e aos problemas de erosão. A agricultura intensiva
levou, em certas áreas, ao esgotamento dos nutrientes minerais
da terra e sua consequente esterilização.
Os conflitos entre o ser humano e
o ambiente que ele próprio criou começaram, pois, com a
substituição dos processos naturais por métodos artificiais.
E, se por um lado o homem não pode abandonar a tecnologia que
criou e desenvolveu, por estar adaptado ao meio artificial
originado por ela, por outro lado não poderá suportar
indefinidamente o excesso de energia e os subprodutos
introduzidos em seu meio ambiente natural.
É assim que o homem é obrigado a
tentar soluções através do desenvolvimento de uma nova
tecnologia de proteção ao meio ambiente.
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Biosfera:
os limites dos seres vivos
Nenhum ser vivo é capaz de viver
permanentemente em temperatura superiores a 70 ou 80 graus centígrados.
Como também não aguentaria permanecer por muito tempo em
temperaturas muito baixas. Existem limites em relação às
variações do meio.
Esses extremos de tolerância
natural dos seres vivos é que constituem as fronteiras que
demarcam a biosfera. Não se trata, então, de uma camada geométrica
do globo em que é possível a existência de vida. Isso tem um
sentido muito mais ideal do que físico: vai até onde o ser
vivo pode ir, com vida.
Os limites de tolerância estão
também condicionados à velocidade e forma em que acontecem as
mudanças no meio ambiente. Se as alterações forem muito rápidas,
por exemplo, podem ocasionar o desaparecimento de espécies e até
grandes catástrofes. Já as modificações lentas permitem uma
adaptação evolutiva (evolução das espécies).
O homem sempre difere dos outro
seres pela sua possibilidade de improvisação e criatividade.
É dessa forma que escapa à seleção natural pela fome ou
escassez de alimentos, tendo mais condições de sobreviver às
mudanças e crescer populacionalmente.
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Tecnosferra:
o ambiente artificial
Para sobreviver a doenças e
intempéries, o homem teve que desenvolver métodos e técnicas,
amoldando o meio ambiente a novas condições e necessidades
humanas. Aparecem substâncias contra as pragas da lavoura, que
passaram a pertencer ao ambiente. Assim como surgiram métodos e
substâncias para a preservação dos alimentos por tempo
ilimitado e que se incorporaram ao nosso ecossistema.
Todos esses recursos artificiais
utilizados pelo homem foram se tornando indispensáveis. A ele
se dá o nome de tecnologia. E, o ambiente inteiramente
artificial resultante da tecnologia vem sendo chamado de
tecnosfera.
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A
vida em sociedades
Todos os seres vivos têm a tendência
de viver em grupos de estruturas definidas, principalmente
quanto à divisão de trabalho. Desde modo, é mais fácil obter
alimentos, defender a prole, sem contar que a possibilidade de
sobrevivência é muito maior do que com a vida isolada.
Entre os animais nota-se também a
existência de castas, que diferem entre si por funções, e
também biologicamente, como no caso das abelhas.
As grandes diferenças entre essas
comunidades e as humanas são que o homem não difere de outro
homem biologicamente: a seleção de trabalho é feita por seleção
resultante de hábito ou treinamento, de tendência a aptidões
mentais e de pressões sociais.
Outra diferença é que o homem,
apesar de viver em comunidade, mantém um alto grau de
individualidade - o que não acontece com os outros seres vivos.
E da atividade mental do homem surge a originalidade, que também
só se aplica ao ser humano, e cuja ausência em outros tipos de
sociedade permite maior rigidez de estrutura e automatismo.
Como o homem é um ser
individualista e criativo, sua dependência dos demais de sua
espécie é apenas casual e questionável. Nessas condições,
sua função na sociedade assume aspecto de obrigações.
Dessa forma, começou a existir o
senso ético ou padrão de comportamento, única base para uma
atividade cooperativa na comunidade humana. Não tendo base biológica,
o padrão e o comportamento só podem derivar da compreensão,
ou melhor, as obrigações do homem para com a comunidade só são
assumidas quando entendidas suas finalidades.
O controle da qualidade do meio
ambiente, por exemplo, quando realizado por animais, em benefício
da sua comunidade, resulta de um padrão biológico. No caso do
homem, a preservação de seu ecossistema somente será
conseguida através de um processo de conscientização nesse
sentido.
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Desenvolvimento
e proteção
Entretanto, o conflito entre
desenvolvimento (produção) e proteção ao meio ambiente
dificulta essa conscientização, A ação da tecnologia em relação
às condições de sobrevivência do homem é geograficamente
desigual. Em algumas áreas, a tecnologia mal aplicada gera
grandes problemas para a qualidade da vida.
Há possibilidade de se
desenvolver uma tecnologia branda, voltada para o uso de substâncias
recicláveis, fontes de energia que não produzam resíduos que
comprometam o meio ambiente.
É preciso, também, planejar-se
adequadamente as atividades produtivas, visando a sua distribuição
racional em relação às disponibilidades de área, de água e
de recursos naturais em geral.
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Poluição
É característica da atividade
humana provocar desequilíbrios. Da mesma forma como o homem obtém
energia e trabalho a partir de desequilíbrios térmicos (nas máquinas
a vapor ou de explosão) ou de desequilíbrios mecânicos
(energia hidráulica) ou de desequilíbrios químicos (pilhas elétricas)
ou ainda desequilíbrios atômicos (energia nuclear), ele
procura, através de desequilíbrios ecológicos, obter maior
rendimento energético.
Quando alteração ecológica
afeta, de maneira nociva, direta ou indiretamente, a vida e o
bem estar humano, trata-se de poluição. É a modificação de
características de um ambiente de modo a torná-lo impróprio
às formas de vida que ele normalmente abriga. Uma pequena redução
de teor normal de oxigênio de um curso de água, por exemplo,
causado por uma insignificante elevação de sua temperatura,
pode provocar o desaparecimento e substituição de um grande número
de pequenos seres excepcionalmente ávidos de oxigênio, como as
larvas de libélulas. Isso pode se constituir numa séria alteração
ecológica em um rio de montanha, de águas muito frias, pois
provoca uma sensível mudança qualitativa de sua flora e fauna.
Mas se a queda de concentração de oxigênio for insuficiente
para afetar a vida de peixes e a fauna original for substituída
por organismo que ainda lhe sirvam de alimento, essa alteração
ecológica não poderá ser considerada poluição.
A nocividade da poluição tem um
caráter passivo e não ativo. Caracteriza-se pela perda das
condições propícias à vida de determinadas espécies
vegetais e animais. Um incêndio não é um fator ecológico e,
assim, não é poluição. O fogo, além disso, não tem valor
seletivo, do ponto de vista biológico.
A presença e a permanência de um
tóxico na água de um rio pode ter valor seletivo, eliminando
parte da poluição biológica e permitindo a sobrevivência e a
proliferação da outra parte ou mesmo o aparecimento de nova
flora em substituição às primeiras. Mas é um elemento ativo
e não passivo. Da mesma forma, o lançamento de uma rede de
pesca tem valor seletivo, destruindo apenas certos tipos de
organismos (peixes) de acordo com seu tamanho. Mas, sendo um
processo ativo, não pode ser considerado elemento ecológico ou
poluidor.
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Texto:
Prof. Samuel Murgel Branco (ex-diretor da Cetesb) |
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| meio ambiente | |
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